SIL 2026 mais do que uma feira, um sinal claro do mercado
Fui ontem à SIL 2026, em Lisboa, naquela que continua a ser a maior feira do imobiliário em Portugal, tanto na minha vertente de empresário como também enquanto Vice-Presidente Sul da APEMIP. Confesso que ia com alguma expectativa moderada, talvez até cautelosa, tendo em conta o contexto atual da economia global, a instabilidade geopolítica e o impacto que tudo isto inevitavelmente tem nas decisões de investimento. Mas saí com uma sensação diferente. Positiva, surpreendentemente positiva.
O ambiente que se vive na SIL não é apenas o de uma feira. É o reflexo direto de um setor. E aquilo que senti foi energia, confiança e uma dinâmica que, honestamente, não esperava encontrar com esta intensidade. Não houve um momento isolado que se destacasse ou um stand que captasse toda a atenção. Foi antes o conjunto, a soma de tudo, que transmitiu uma mensagem clara: o mercado está vivo, ativo e com vontade de continuar a crescer.
Ao longo do dia, nas várias conversas que fui tendo com diferentes players do setor, promotores, investidores, mediadores e parceiros, houve um ponto comum que se repetiu de forma quase unânime. Ninguém está à espera de um abrandamento relevante do mercado em 2026. Pelo contrário, existe uma perceção de continuidade, com a construção a regressar com força e com um pipeline impressionante de projetos já em desenvolvimento, em construção ou em fase de conclusão, à procura de novos clientes e investidores.
E esses clientes continuam a ser cada vez mais internacionais. A presença de promotores do Brasil, por exemplo, demonstra claramente o interesse crescente da América do Sul no mercado português. Mas não só. Também o Médio Oriente, incluindo players ligados ao Dubai, esteve representado, não apenas como investidores, mas como promotores que procuram posicionar os seus próprios projetos junto de um público europeu. Portugal continua, assim, a afirmar-se como um ponto de encontro global, não apenas para investir, mas também para expor e captar novas oportunidades.
Outro ponto que me marcou foi a diversidade da oferta apresentada. Desde projetos claramente orientados para o segmento premium e internacional, até soluções mais focadas na acessibilidade e na nova geração de compradores. O lançamento de projetos com preços mais ajustados e com conceitos mais flexíveis, como co-living, co-working e espaços híbridos, mostra que o setor está atento às mudanças na procura e na forma como as pessoas querem viver.
Também a inovação esteve muito presente. A tecnologia aplicada ao imobiliário continua a evoluir e a ganhar espaço, com soluções que prometem transformar a forma como trabalhamos, analisamos dados e interagimos com clientes. No entanto, e talvez de forma até mais relevante, aquilo que continua a fazer a diferença é o contacto humano. A proximidade, as conversas cara a cara, a construção de relações. Num momento em que tanto se fala de inteligência artificial, a SIL reforça uma ideia simples, mas essencial: o negócio imobiliário continua a ser, acima de tudo, um negócio de pessoas.
Esse equilíbrio entre tecnologia e relação humana foi evidente ao longo de todo o evento. As ferramentas mudam, os processos evoluem, mas a confiança continua a ser construída da mesma forma. E é precisamente para isso que eventos como a SIL fazem sentido. Não apenas como montra de projetos, mas como espaço de encontro, de partilha e de criação de parcerias.
Naturalmente, houve também momentos de reconhecimento que importa destacar. A atribuição do prémio de Personalidade do Ano 2026 a Reinaldo Teixeira foi um desses momentos. Um reconhecimento mais do que merecido por um percurso de décadas ligado ao imobiliário e ao turismo, e que hoje se estende também ao futebol profissional enquanto presidente da Liga Portugal. Houve quem comentasse que o setor perdeu uma figura relevante para o futebol, mas a verdade é que os dois mundos estão mais ligados do que muitas vezes pensamos. Onde há pessoas, há necessidade de habitação. Onde há dinâmica económica, há imobiliário. E nesse sentido, a ligação faz todo o sentido.
Outro destaque foi a forte presença de projetos estruturantes que estão a marcar o futuro das cidades, como os desenvolvimentos em Lisboa e na Comporta, bem como novos conceitos ligados à educação, à comunidade e ao estilo de vida. A procura internacional por qualidade de vida continua a ser um dos principais motores do mercado, e Portugal posiciona-se cada vez mais como um destino completo, onde não se compra apenas um imóvel, mas um modo de vida.
Ao mesmo tempo, temas como a habitação acessível, a sustentabilidade e os novos modelos de investimento estiveram presentes nas discussões, mostrando que o setor está consciente dos desafios que enfrenta. A falta de oferta, a pressão sobre os preços e a necessidade de encontrar soluções equilibradas continuam a ser temas centrais. Mas o que ficou claro é que existe vontade de encontrar respostas.
A SIL, ao reunir todos os intervenientes do setor no mesmo espaço, desde promotores a investidores, passando por mediadores, banca, construção e entidades públicas, cria precisamente o ambiente necessário para que essas respostas comecem a surgir. Não de forma imediata, mas através do diálogo, da partilha e da construção conjunta.
No final, aquilo que levo desta edição da SIL é uma mensagem de confiança, mas também de responsabilidade. O setor imobiliário em Portugal continua forte, dinâmico e atrativo. Mas esse crescimento terá de ser acompanhado por uma visão clara, por maior equilíbrio e por uma capacidade de adaptação aos novos desafios.
Porque mais do que crescer, será essencial crescer bem.
E a SIL, mais uma vez, mostrou que o setor está preparado para essa conversa.
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