Portugal em 2026: o imobiliário entra numa fase de seleção, não de euforia
O ano de 2026 deverá marcar uma viragem silenciosa no imobiliário em Portugal. Não será um ano de euforia, nem de retração generalizada. Será, sobretudo, um ano de seleção. Um ano em que investidores, promotores e compradores vão separar com mais clareza o que é “ativo” do que é apenas “imóvel”. Esta distinção é essencial num contexto internacional onde o capital está a regressar, mas com critérios muito mais exigentes do que no ciclo anterior.
A Europa entra em 2026 com sinais de estabilização macroeconómica. A inflação está mais controlada, os bancos centrais já não têm o mesmo ímpeto restritivo e a perceção de risco, ainda que elevada por razões geopolíticas, começa a ser melhor “precificada” pelos mercados. Isso devolve confiança ao capital institucional e reabre espaço para transações que ficaram em suspenso. Mas o regresso do capital não significa que tudo volta ao mesmo. O mundo mudou, e o imobiliário mudou com ele.
Em Portugal, esta nova fase tem três características muito claras. Primeiro, a procura mantém-se forte, mas o comprador está mais informado e mais seletivo. Segundo, o financiamento tende a ser mais disciplinado. Terceiro, os ativos que não respondem a critérios de eficiência, localização e qualidade funcional ficam para trás com maior rapidez. O mercado vai premiar o que é robusto e penalizar o que é obsoleto.
A dinâmica de Lisboa e do Porto vai continuar positiva, mas também mais segmentada. O “flight to quality”, ou seja, a procura por qualidade, não é apenas um conceito de relatório, é uma realidade. Edifícios eficientes, com bom desempenho energético, bem servidos por transportes e integrados em zonas com vida urbana e serviços continuarão a atrair investimento. O contrário também é verdade. Ativos envelhecidos, com custos de reabilitação elevados e pouca capacidade de se adaptar a novas exigências vão ter maior dificuldade em manter valor e liquidez.
É também importante perceber que o imobiliário em 2026 será cada vez mais influenciado por tecnologia e energia. O crescimento de data centers, logística, infraestrutura digital e projetos ligados à transição energética está a puxar investimento e procura por terrenos, capacidade elétrica e zonas com conectividade estratégica. Portugal, com a sua matriz renovável e localização atlântica, tem vantagens reais. Mas estas vantagens só se transformam em valor imobiliário quando o planeamento, os licenciamentos e as infraestruturas acompanham.
No residencial, a questão central continua a ser a oferta. A procura existe, mas a produção continua travada por custos de construção, burocracia e falta de previsibilidade em muitos municípios. Isto cria pressão nos preços e reforça um fenómeno que já se sente: o prémio de liquidez para imóveis “prontos”, bem localizados e com documentação clara. Em 2026, o mercado valoriza ainda mais a simplicidade e a segurança do processo. O que estiver bem preparado vende e arrenda melhor.
Por outro lado, o arrendamento profissional tende a ganhar força, não apenas por necessidade social, mas porque começa a ser visto como um setor com procura estrutural. Com as grandes cidades a atrair talento internacional, com mais mobilidade laboral e com novas gerações a adiar a compra, o arrendamento de qualidade será uma peça central. O desafio será criar oferta, e isso implica incentivos, planeamento e, acima de tudo, velocidade de execução.
No segmento de turismo e hospitalidade, Portugal mantém vantagens competitivas. Mas também aqui a lógica é seletiva. O mercado privilegia produtos com experiência, diferenciação e capacidade de manter preços em ciclos incertos. O turismo continua importante, mas a economia portuguesa já não se explica só por isso. A tecnologia e os serviços exportáveis estão a ganhar peso e isso tem efeitos diretos na procura imobiliária, tanto residencial como comercial.
2026 será um ano em que o imobiliário em Portugal se mede menos pela quantidade de transações e mais pela qualidade das decisões. Quem apostar em ativos eficientes, bem localizados, com função clara e alinhados com tendências estruturais estará mais protegido. Quem insistir em fórmulas antigas poderá descobrir que o mercado já mudou. E mudou para sempre.
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