Todos os anos, o MIPIM reúne a indústria imobiliária global em Cannes, e cada edição tem o seu próprio tom, o seu próprio ímpeto e os seus próprios sinais sobre a direção do setor. Estar presente no MIPIM 2026 foi, mais uma vez, um lembrete poderoso de que o imobiliário não se resume apenas a edifícios e valores de investimento. Trata-se das pessoas, das parcerias e da capacidade das cidades e regiões de se apresentarem ao mundo.
Para mim, uma das impressões mais marcantes deste ano foi a presença forte e confiante dos portugueses ao longo de todo o evento. Ao passear pelo Palais des Festivals, assistir a painéis, visitar pavilhões e reunir-se com participantes nos corredores ou durante café, tornou-se muito claro que Portugal não estava apenas presente. Portugal estava visível, envolvido e orgulhoso.
Por todas as áreas de exposição e salas de reuniões havia representantes portugueses por todo o lado. Alguns vieram com os seus próprios stands e programas organizados, outros juntaram-se como visitantes para explorar oportunidades e compreender o que está a acontecer no mercado imobiliário global. Mas, quer estivesse presente com uma cabine ou simplesmente a percorrer as pistas, a delegação portuguesa causou uma impressão notável.
Uma forte presença municipal
Um dos aspetos mais encorajadores da presença portuguesa este ano foi a participação ativa dos municípios e autoridades regionais. Presidentes de câmara e representantes metropolitanos viajaram até Cannes juntamente com as suas equipas técnicas para apresentar as suas regiões, discutir oportunidades de investimento e fortalecer relações internacionais.
Entre eles estavam representantes de Lisboa, Coimbra, Porto, Gaia e Oeiras, cidades que já se tornaram participantes regulares do MIPIM ao longo dos anos. No entanto, este ano a presença expandiu-se ainda mais, com presidentes de câmara e líderes regionais de zonas como Santarém, Abrantes, Vale do Tejo e Lezíria do Tejo também a participarem no evento.
Ver o Presidente da Câmara de Coimbra presente ao lado de outros líderes municipais portugueses demonstrou algo importante. As regiões portuguesas estão cada vez mais conscientes de que a visibilidade internacional é importante. O MIPIM não é simplesmente uma conferência. É um mercado global onde as cidades competem por atenção, investimento e parcerias.
Ao trazer a liderança política diretamente para o evento, Portugal está a enviar uma mensagem clara de que as suas regiões são abertas, proativas e prontas para dialogar com o capital internacional.
Portugal a Atrair a Atenção Global
O que se tornou evidente durante as conversas ao longo da semana foi o nível de interesse dos investidores internacionais em Portugal. Promotores, gestores de fundos, consultores e representantes municipais encontraram-se em discussões com investidores de toda a Europa, Médio Oriente, América do Norte e Ásia.
Portugal continua a beneficiar de uma reputação que combina estabilidade, qualidade de vida e potencial de crescimento a longo prazo. Os investidores estão cada vez mais a olhar para além dos tradicionais centros europeus e a considerar mercados onde ainda existem oportunidades de desenvolvimento e onde as cidades estão dispostas a colaborar com o setor privado.
Durante o evento, houve inúmeras discussões entre promotores portugueses, consultores imobiliários, advogados e parceiros internacionais de capital à exploração de potenciais projetos e parcerias. Desde o desenvolvimento residencial à logística, hotelaria e regeneração urbana de uso misto, Portugal está firmemente no radar dos investidores globais.
Foi também notório como os participantes portugueses se apresentaram. Havia um genuíno orgulho em representar o país e o setor. As bancadas portuguesas foram acolhedoras, as conversas abertas e o ambiente animado. Comida, vinho e networking informal criaram espaços onde as discussões podiam evoluir naturalmente das apresentações para oportunidades concretas.
Estes momentos podem parecer informais, mas são frequentemente onde se fazem ligações reais e onde começam os primeiros passos para futuros investimentos.
Uma Representação Ampla da Indústria
A delegação portuguesa não se limitou a municípios e promotores imobiliários. A presença do país abrangia todo o ecossistema da indústria imobiliária.
Empresas de engenharia, construtoras, gestores de ativos, consultores jurídicos, consultores e instituições financeiras estavam todos representados. Grandes promotores portugueses como VIC Properties, Fidelidade Property, Sonae Sierra e outros estiveram presentes, juntamente com empresas de consultoria como Savills, Colliers e B. Prime.
Instituições financeiras como a Millennium BCP, consultoras globais como Deloitte, EY e KPMG, e sociedades de advogados como PLMJ, Vieira de Almeida e Miranda & Associados também fizeram parte do contingente português. Esta diversidade destaca a maturidade do mercado imobiliário português e a sua capacidade de se apresentar internacionalmente com um ecossistema profissional completo.
Entidades municipais como a Câmara Municipal de Lisboa, a Câmara Municipal do Porto, Matosinhos, Loures e as várias comunidades intermunicipais demonstraram que as autoridades regionais do país compreendem a importância de envolver-se diretamente com investidores e promotores imobiliários.
Um Evento Global com Tons Geopolíticos
Embora o MIPIM seja, acima de tudo, uma plataforma para imobiliário e investimento, os eventos globais inevitavelmente moldam as conversas que decorrem nos corredores e reuniões privadas.
Este ano, a impressionante presença da Arábia Saudita destacou-se fortemente. As delegações sauditas apresentaram visões ambiciosas para o futuro com dois grandes pavilhões e modelos arquitetónicos impressionantes que demonstram a escala do desenvolvimento planeado em todo o Reino. A ambição e a dimensão desses projetos foram impressionantes e despertaram curiosidade entre visitantes de toda a indústria.
Ao mesmo tempo, as tensões geopolíticas não estiveram ausentes das discussões. Os conflitos em curso no Médio Oriente e as suas implicações económicas mais amplas eram frequentemente mencionados em conversas privadas entre os participantes. O setor imobiliário, como todas as indústrias, está profundamente ligado à estabilidade global, ao crescimento económico e à confiança dos investidores.
Apesar destas preocupações, o ambiente geral no MIPIM manteve-se otimista. Havia uma crença partilhada de que o setor imobiliário continua a desempenhar um papel crucial na formação de cidades sustentáveis, no apoio ao crescimento económico e na criação de locais onde as pessoas possam viver, trabalhar e inovar.
O Momento de Portugal no Palco Global
Olhando para trás na semana em Cannes, uma conclusão torna-se clara. A presença de Portugal no MIPIM 2026 não foi simplesmente simbólica. Era estratégico.
A combinação de liderança política, especialização profissional e energia empreendedora apresentou o país como um interveniente sério e dinâmico no panorama imobiliário global. O orgulho demonstrado pelos representantes portugueses, a qualidade das discussões e o forte interesse dos investidores internacionais sugerem que as relações construídas durante o evento poderão traduzir-se em novos investimentos nos próximos meses.
O investimento estrangeiro direto tem sido um dos principais motores do crescimento imobiliário em Portugal na última década. Eventos como o MIPIM servem como catalisadores onde se fazem ligações, trocam ideias e começam a surgir oportunidades.
Não há dúvida de que o MIPIM 2026 reforçou mais uma vez a posição de Portugal como destino atrativo para investimento imobiliário internacional. Mais importante ainda, demonstrou que as cidades, promotores e instituições portuguesas estão cada vez mais confiantes em apresentar a sua visão ao mundo.
E, a julgar pela energia e entusiasmo vistos em Cannes este ano, o papel de Portugal no palco imobiliário global continua a crescer.
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