O imobiliário é um mercado local, mas vive cada vez mais influenciado por tendências globais. O que se passa em Londres, Madrid, Paris ou Berlim, e o que os grandes investidores internacionais estão a fazer, raramente fica apenas nesses mercados. Funciona como sinal. Às vezes como aviso. Outras vezes como oportunidade. Para Portugal, 2026 será um ano em que vale a pena olhar para fora para tomar melhores decisões cá dentro.
A primeira mensagem internacional é simples. O capital está a voltar, mas voltou mais exigente. Depois de um período de ajuste com taxas de juro elevadas e maior incerteza, o mercado europeu entra em 2026 com uma postura mais pragmática. Investidores voltam a agir, mas com foco em ativos prime, eficientes e com liquidez. Isto tem implicações diretas para Portugal, porque o nosso mercado tem vindo a atrair capital precisamente quando oferece estabilidade, transparência e uma boa relação entre risco e retorno.
A segunda mensagem é estrutural. A inteligência artificial está a transformar o imobiliário. Não como moda, mas como motor de procura. O crescimento de data centers, de espaços industriais avançados e de logística urbana é uma das grandes tendências europeias e globais. Portugal já está dentro deste movimento, com projetos relevantes em Sines e noutros polos. Mas o impacto vai além dos data centers. Afeta terrenos, energia, redes, habitação para talento especializado, e serviços associados. Quem investir em zonas que absorvem tecnologia e infraestrutura digital está a alinhar com uma tendência de longo prazo.
A terceira mensagem é a evolução do conceito de “ESG”. Sustentabilidade deixou de ser um argumento de marketing e passou a ser critério financeiro. Em muitos mercados, ativos ineficientes enfrentam custos crescentes, dificuldades de financiamento e perda de procura. O famoso fosso entre ativos novos e stock antigo alarga-se. Em Portugal, isto também se aplica e será cada vez mais visível em 2026. Reabilitar bem, tornar eficiente e preparar edifícios para padrões energéticos mais exigentes será uma vantagem competitiva. Não é apenas “ser verde”. É proteger valor e facilitar liquidez.
A quarta mensagem vem da procura por setores alternativos. Internacionalmente, o investimento está a crescer em saúde, residências seniores, residências de estudantes, alojamento flexível, e ativos operacionais com receitas mais estáveis. Portugal tende a seguir estas tendências com algum atraso, mas já se nota procura crescente por projetos com componente operacional e gestão profissional. Em 2026, estes setores podem ganhar importância, sobretudo em Lisboa, Porto e cidades universitárias, onde a procura por habitação e serviços é estrutural.
A quinta mensagem tem a ver com cidades vencedoras e cidades em declínio. A demografia europeia está a concentrar crescimento em poucas regiões. Investidores internacionais estão cada vez mais seletivos quanto às cidades. Preferem mercados com talento, mobilidade, infraestrutura e dinamismo económico. Lisboa surge bem posicionada nos rankings europeus e isso é relevante para o investimento, mas também é um alerta. Se queremos manter essa posição, precisamos de resolver o tema da habitação, acelerar licenças e garantir mobilidade urbana. Um ecossistema urbano forte é hoje uma vantagem económica direta.
Para Portugal, a conclusão é clara. O investimento mais inteligente em 2026 será o que se alinha com tendências globais sem perder a leitura local. Não basta seguir a moda. É preciso perceber onde está a procura real. Onde há crescimento económico. Onde há talento. Onde há infraestrutura. Onde há capacidade de execução.
Quem olha para o mercado internacional com atenção percebe que o imobiliário está a entrar numa era de precisão. O tempo das apostas genéricas está a terminar. Em 2026, o investimento vencedor é aquele que combina prudência, visão e capacidade de execução. Portugal pode beneficiar muito deste novo ciclo, mas apenas se escolher bem onde e como investir.
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